top of page

Bioimpedância ou Dobras Cutâneas: Qual é Melhor?

Entenda as diferenças entre bioimpedância e dobras cutâneas e descubra qual método oferece a melhor avaliação da composição corporal.


A balança convencional informa o peso total de uma pessoa. Não informa, porém, do que esse peso é constituído. Quer dizer, duas pessoas com o mesmo peso e a mesma altura podem apresentar quantidades muito diferentes de gordura, musculatura e água corporal. Da mesma forma, uma pessoa pode emagrecer sem que o peso se altere significativamente, caso esteja perdendo gordura e ganhando massa muscular, por exemplo. Também pode perder vários quilos de maneira indesejável, à custa de água e massa muscular.

Por essa razão, acompanhar apenas o peso total costuma ser insuficiente tanto durante o emagrecimento quanto em um processo de hipertrofia. É necessário avaliar a composição corporal.

Entre os métodos mais utilizados estão a bioimpedância e a antropometria por dobras cutâneas, também chamada de plicometria. Mas qual deles é melhor?

A resposta curta é: nenhum método é superior em todas as circunstâncias. A qualidade da avaliação depende do equipamento empregado, da técnica do avaliador, da padronização do exame e, principalmente, da interpretação conjunta dos resultados.


O que as dobras cutâneas realmente medem?

Na avaliação por dobras cutâneas, o profissional utiliza um adipômetro - também chamado de compasso de dobras, ou plicômetro - para medir a espessura de uma camada dupla de pele e tecido adiposo subcutâneo em pontos anatômicos determinados.

A medida obtida não corresponde diretamente ao percentual de gordura corporal. As espessuras das dobras são inseridas em equações que estimam a densidade corporal e, a partir dela, o percentual de gordura. Essa distinção é importante: o adipômetro mede a espessura das dobras; o percentual de gordura é estimado.

Existem diferentes protocolos, com três, quatro, sete ou mais pontos de medida. Também existem inúmeras equações, desenvolvidas a partir de populações distintas. A escolha inadequada do protocolo ou da equação pode produzir resultados consideravelmente diferentes para a mesma pessoa, sobretudo quando idade, sexo, etnia, grau de obesidade ou condição atlética não correspondem à população na qual a fórmula foi validada. Estudos demonstram que diferentes equações de dobras podem fornecer estimativas divergentes, mesmo quando aplicadas às mesmas medidas corporais. (Vaquero-Cristóbal et al., 2020)


Quais são as vantagens das dobras cutâneas?

Quando as medidas são realizadas por um profissional devidamente treinado, mediante pontos anatômicos e técnica padronizados, as dobras cutâneas podem ser muito úteis para acompanhar modificações da gordura subcutânea.

Uma de suas maiores vantagens está no acompanhamento longitudinal. A soma das dobras, considerada independentemente do percentual de gordura estimado, pode mostrar com bastante sensibilidade se a gordura subcutânea está aumentando ou diminuindo. Esse recurso é particularmente valioso em atletas e em pessoas relativamente magras. (Goosey-Tolfrey et al., 2021)

As dobras também são menos sensíveis que a bioimpedância a algumas variações agudas da distribuição de água corporal. Isso, entretanto, não significa que sejam completamente imunes à hidratação, ao edema, à temperatura da pele ou às alterações da compressibilidade dos tecidos.


Quais são as limitações das dobras cutâneas?

A principal limitação é sua dependência da técnica do avaliador. A localização incorreta do ponto anatômico, a forma de destacar a dobra, o posicionamento do adipômetro e o tempo de leitura podem modificar consideravelmente o resultado.

A avaliação também se torna mais difícil em pessoas com obesidade, quando a espessura da dobra ultrapassa a capacidade do instrumento ou não pode ser adequadamente destacada. Em indivíduos muito magros, pequenos erros absolutos podem representar diferenças proporcionalmente relevantes.

Além disso, a gordura corporal não se distribui de maneira uniforme. Como as dobras examinam apenas determinados depósitos de gordura subcutânea, o resultado final depende da capacidade da equação de inferir a gordura corporal total a partir desses pontos.

Portanto, não basta possuir um adipômetro. É necessário dominar os pontos anatômicos, a técnica de mensuração e os critérios de interpretação.


O que a bioimpedância realmente mede?

A bioimpedância faz passar pelo corpo uma corrente elétrica alternada, de intensidade muito baixa e geralmente imperceptível. O equipamento mede a oposição oferecida pelos tecidos à passagem dessa corrente, denominada impedância.

A partir da impedância, o aparelho estima a água corporal e a massa livre de gordura. A massa de gordura é então calculada com base na diferença entre o peso corporal total e a massa livre de gordura. Isso significa que a bioimpedância também não “enxerga” diretamente a gordura ou a musculatura. Ela mede propriedades elétricas do corpo e utiliza modelos matemáticos para estimar sua composição.

Em outras palavras, parâmetros como nível de gordura visceral, taxa metabólica basal e massa muscular esquelética são estimativas produzidas pelo equipamento; não correspondem a mensurações diretas desses tecidos ou funções.


Comparação entre métodos de avaliação corporal: bioimpedância e dobras cutâneas, cada um estimando gordura corporal a partir de técnicas distintas, mas sem medi-la diretamente.
Comparação entre métodos de avaliação corporal: bioimpedância e dobras cutâneas, cada um estimando gordura corporal a partir de técnicas distintas, mas sem medi-la diretamente.

Todas as bioimpedâncias são iguais?

Não. Chamar qualquer aparelho de “bioimpedância” esconde diferenças tecnológicas importantes. Há balanças domésticas que medem a impedância apenas entre os pés, utilizando uma única frequência. Existem também equipamentos profissionais que analisam separadamente braços, pernas e tronco, mediante diferentes frequências e oito pontos de contato.

Na avaliação que realizo em Belém, utilizo o InBody 270, equipamento profissional de bioimpedância segmentar e multifrequencial. Ele realiza medidas independentes nos cinco segmentos corporais - braços, pernas e tronco - e utiliza frequências distintas para produzir uma análise mais detalhada da distribuição de água, gordura e massa corporal magra. (Especificações oficiais do InBody 270)

Isso não torna o resultado infalível. Torna-o, porém, tecnicamente muito diferente daquele fornecido por uma balança doméstica comum.


Quais são as limitações da bioimpedância?

Como a corrente elétrica percorre principalmente os compartimentos corporais que contêm água e eletrólitos, modificações da hidratação podem alterar a impedância e, consequentemente, as estimativas de gordura e massa livre de gordura.

Exercício recente, ingestão alimentar, consumo de álcool, esvaziamento da bexiga, temperatura corporal, sudorese, edema e distribuição anormal de líquidos podem interferir nos resultados. A bioimpedância apresenta melhor consistência quando o indivíduo está em condições estáveis de hidratação e o exame é repetido segundo o mesmo protocolo. (O’Brien, Young e Sawka, 2002)

Também é necessário considerar as características da população avaliada. Pessoas com constituição corporal muito distante daquela pressuposta pelo modelo do equipamento, atletas extremamente musculosos e indivíduos com alterações importantes da distribuição de líquidos exigem interpretação especialmente cuidadosa.

A bioimpedância profissional é uma excelente ferramenta. O erro está em tratar qualquer número impresso pelo aparelho como se fosse uma determinação exata da realidade corporal.


Afinal, qual método deve ser escolhido?

A escolha depende da pergunta que se pretende responder. Em uma pessoa com obesidade, na qual as dobras não podem ser adequadamente destacadas, a bioimpedância tende a ser mais viável. Em atletas ou indivíduos relativamente magros, a soma das dobras pode ser particularmente útil para acompanhar pequenas alterações da gordura subcutânea.

Quando existem edema, desidratação, doença renal, alterações eletrolíticas ou mudanças rápidas da água corporal, os resultados da bioimpedância devem ser interpretados com cautela. Quando há grande quantidade de gordura corporal ou dificuldade de identificação dos pontos anatômicos, as dobras podem perder confiabilidade.

Para acompanhar a evolução, uma regra é especialmente importante: as avaliações devem ser realizadas, tanto quanto possível, com o mesmo método, o mesmo equipamento, o mesmo protocolo e em condições semelhantes.

Comparar o percentual de gordura fornecido por uma balança doméstica com aquele calculado por dobras ou por um equipamento profissional pode criar a falsa impressão de perda ou ganho de gordura. Métodos diferentes não são necessariamente intercambiáveis e podem apresentar resultados sistematicamente distintos. (Tornero-Aguilera et al., 2022)


Por que utilizar os dois métodos?

Bioimpedância e dobras não precisam ser concorrentes. Quando tecnicamente aplicáveis, podem fornecer informações complementares.

A bioimpedância permite examinar estimativas de água corporal, gordura, massa livre de gordura e distribuição segmentar. As dobras mostram diretamente o comportamento de depósitos específicos de gordura subcutânea. As circunferências corporais ajudam a acompanhar mudanças regionais; o registro fotográfico padronizado permite observar transformações que nem sempre aparecem claramente nos números.

Quando esses dados são analisados em conjunto, é possível distinguir melhor situações como perda de gordura com preservação muscular, aumento de peso por ganho de massa corporal magra, retenção hídrica e modificações localizadas da forma corporal.


Como funciona minha avaliação física em Belém?

Minha avaliação física completa reúne diferentes recursos para que nenhum número seja interpretado isoladamente:


  • Bioimpedância profissional pelo InBody 270, com análise segmentar e multifrequencial;

  • Antropometria padronizada segundo critérios da ISAK, incluindo dobras cutâneas e circunferências corporais, quando tecnicamente indicadas;

  • Registro fotográfico padronizado, realizado mediante consentimento;

  • Interpretação conjunta dos resultados, considerando objetivo, histórico de evolução, treinamento e condição clínica.


Procura-se estabelecer, dessa forma, não o percentual de gordura, que, como dito anteriormente, é um resultado estimado, mas um ponto de partida confiável, que represente, da melhor forma possível, a composição corporal atual, além de identificar, ao longo do acompanhamento, o que realmente se modificou e com isso orientar as decisões seguintes com maior precisão.


Quer saber se está realmente perdendo gordura, preservando musculatura ou obtendo resultado com seu treinamento?


Avaliação física ou consulta médica: de qual você precisa?

A avaliação física pode ser contratada isoladamente por quem já possui acompanhamento nutricional ou esportivo e deseja mensurar com maior rigor sua composição corporal e sua evolução.

A consulta médica é mais adequada quando, além da composição corporal, é necessário investigar obesidade, dificuldade de emagrecimento, perda de massa muscular, alterações metabólicas, pré-diabetes, dislipidemias, uso de medicamentos, sintomas clínicos ou necessidade de prescrição alimentar individualizada.

Durante a consulta, a composição corporal deixa de ser um conjunto isolado de números e passa a integrar uma avaliação médica mais ampla.


Se você precisa apenas mensurar sua evolução:


Se precisa investigar sua condição e receber uma conduta individualizada:


Como se preparar para a avaliação?

Para aumentar a precisão e a comparabilidade dos resultados, assim que agendar a consulta ou a avaliação física, receberá um documento com as informações sobre a preparação para o exame. Basta que siga esse protocolo: faça o período de jejum solicitado; evite exercícios intensos, álcool e cafeína nas horas anteriores; use roupas leves; esvazie a bexiga antes da avaliação e informe a presença de edema, alterações recentes de hidratação ou uso de medicamentos que possam interferir na distribuição de líquidos.

Nas reavaliações, procure repetir o exame em horário e condições semelhantes. A padronização é tão importante quanto o método escolhido.


Conclusão

Nem a bioimpedância nem as dobras cutâneas fornecem uma medida absolutamente exata da gordura corporal. Ambas produzem estimativas e ambas podem oferecer informações valiosas quando corretamente executadas.

A pergunta mais importante, portanto, não é simplesmente “bioimpedância ou dobras?”. É: quem realizará a avaliação, com qual equipamento, segundo qual protocolo e de que maneira os resultados serão interpretados?

Quando bioimpedância profissional, antropometria, circunferências e fotografias são examinadas em conjunto, obtém-se uma compreensão muito mais segura da evolução corporal. É essa compreensão - e não um número isolado - que permite ajustar dieta, treinamento e tratamento com maior precisão.

Comentários


Dr. Eduardo Fidelis

Médico CRM 16732| Pós-graduado em Nutrologia Esportiva

Emagrecimento • Hipertrofia • Educação Alimentar • Qualidade de Vida

  • Youtube
  • Instagram
  • X

FIDELIS MEDICINA ESPORTIVA LTDA

CNPJ: 49.549.250/0001-74

Endereço: Tv. Alm. Wandenkolk, 811 - Nazaré, Belém-PA

bottom of page